Saí de casa dia 18 de Setembro, cheguei no Reino Unido dia 19. Já são seis meses e meio, na verdade. Seis meses e meio de crescimento, de desafios, de muito aprendizado, muitos sonhos realizados. Essencialmente, minha vida aqui é muito boa, e não faltam motivos – tenho bons amigos, viajo bastante, me sinto mais segura andando pelas ruas, e, em geral, toda a experiência, com os perrengues, de me virar sozinha, é muito prazerosa.
No entanto, este é um texto sobre um não tão inesperado choque de realidade.
Leicester, além de ser a cidade do atual líder da Premier League, é também considerada a cidade mais diversa do Reino Unido, e não sem razão. Entre amigos e conhecidos, devo lidar diariamente com pessoas de pelo menos umas 20 nacionalidades diferentes, sem contar aqueles que nasceram britânicos, mas toda sua família ainda é ligada à herança dos pais e avós. Estudo com gente do Paquistão aos Bálticos, converso todos os dias com o dono da lojinha da esquina que nasceu na Índia, e minha melhor amiga da igreja, Hannah, é meio chinesa, meio maurícia.
Foi a própria Hannah quem me colocou em palavras exatas as impressões que eu vinha construindo nos últimos meses, sobre como existe diversidade, mas como é baixa a miscigenação, em proporção. Apenas as gerações mais recentes têm quebrado essa cultura, e, mesmo assim, ainda é algo em desenvolvimento. Existem barreiras muito fortes, como entre chineses e indianos e negros, e, dentro das universidades, a maioria das pessoas procura andar com aqueles que são da mesma nacionalidade. Nisso tudo, sem sombra de dúvidas a maior separação fica entre pessoas inglesas e pessoas não inglesas.
No meio desse fogo cruzado, eu, que, nas misturas da minha família, sempre fui branca o bastante pra ser poupada do racismo no Brasil, me descobri uma peça exótica em exposição.
O título deste texto conecta minhas três realidades – como mulher, como cidadã do Brasil, e como moradora da Europa – que são a fonte da inquietação que me faz escrever sobre isso hoje.
Como mulher, o machismo na sociedade me coloca como um objeto em todo o tempo. Como mulher brasileira, eu carrego muitas heranças no meu sangue, entre Portugal, Espanha, Cabo Verde e povos indígenas. Como mulher brasileira residindo na Europa, eu sou avaliada sempre sob a ótica do estereótipo que meu país carrega, mas também sou colocada com todos os estrangeiros (especialmente os não europeus) no outro lado da balança, como uma pessoa de “mixed-race”, e que nunca vai estar à altura de quem não carrega a miscigenação nas veias.
Trabalhando em pubs pela cidade, não era difícil perceber que a maioria esmagadora dos rapazes ingleses preferia ser atendido pelas minhas colegas inglesas. Já escutei comentários sobre o quão “castanhos” eram meus olhos, e, numa mesma noite, me perguntaram 2 vezes se eu era asiática. Na verdade, a ânsia por saber qual a herança genética das moças não inglesas é assustadora, quase que uma forma de preencher uma checklist de etnias ao seu alcance.
A impressão corrente é a de que, perante os britânicos – e os europeus, em geral – , independente de quão bem eu consiga me ajustar socialmente, sempre vamos carregar aquele distintivo de estrangeiras. Exóticas – aquela palavra que carrega o peso de transformar um ser humano num objeto para apreciação. As que saem dos seus países para roubar empregos e maridos em outros. Passistas de samba, carnavalescas. As namoradas que os pais não esperavam, que os pais não aceitam.
Meu refúgio, em toda essa frustração, é saber que Deus também nos dá uma resposta pra isso. Minha vida, meu destino e meus caminhos estão entregues nas mãos do Todo Poderoso. E minha cidadania é dos céus. Enquanto estiver nesta Terra, serei eternamente estrangeira. Três vivas para os peregrinos!
Dia da Consciência Solteira
Uma das datas comerciais mais irritantes de todas deve ser o Dia dos Namorados. A piadinha do Dia da Consciência Solteira vem bem a calhar nesse ambiente de imersão na cultura do amor e da paixão que ocupa os shoppings e as mídias na proximidade da data. Este ano, morando em outro país, passei pela experiência de duas celebrações num espaço de tempo de oito meses, entre o 12 de Junho brasileiro e o presente 14 de Fevereiro. Acredito que curta distância e o fato de ter passado a última data acompanhada tenham me deixado mais pensativa que de costume.
É essa mesma carência que cria tristeza nos corações que estão solitários no dia de hoje. É difícil não se pegar olhando pra janela em silêncio diante das fotos e textos que enchem o feed do instagram e do facebook, ou questionando se a pessoa certa vai chegar, algum dia. E isso é algo realmente muito sério, porque muitas pessoas estão se magoando por aí em troca de ganhar um presente ou ter pra quem falar “Eu te amo!” antes de dormir – e isso não é problema de adolescente.
Vejo muita gente falando sobre como é bom e importante que os solteiros curtam seu tempo sozinhos, mas vejo pouca gente na verdade entendendo isso na essência. Eu acredito que o ser humano tenha sido criado para estar sempre em pares, em grupos, mas nós somos indivíduos, acima de tudo. Dentro da sua cabeça, ficam só você e Deus. E se você não aprender a se virar do avesso, e se conhecer, e se apreciar, você não pode esperar saber fazer isso pelos outros. Nossa convivência coletiva é aperfeiçoada em nós mesmos, mais do que no coletivo, porque a base dos bons relacionamentos é tratar o outro como você gostaria de ser tratado.
E do que você gosta mesmo?
Single Awareness Day
One of the most irritating comercial celebrations must be Valentine’s Day. The “Single Awareness Day” pun fits well the situation, in which we are forced to cope with Love being in the air everywhere we go. This year, living in the UK, I had to experience Valentines Day twice in 8 months, between the brazilian 12th of June and today, the 14th of February. I believe that the short amount of time and the fact that I actually had a boyfriend last year have made me quite thoughtful.
Once again, Friend’s Day.
A reasonably famous campaign defends that, in christian life, Christ is first, others are second, we are third. I agree with that – I’ve already been led to believe that I would only be fit to live in society once I could comfortably live with myself. Today, I realise that my ways are better perfected in the midst of people and the hardest trials that society can put us through.
(Mais um) Dia do Amigo.
Uma campanha bem famosa por aí que defende que, na vida de um cristão, Cristo vem em primeiro, nosso próximo em segundo, e nós ficamos em terceiro. Eu assino embaixo – já me levaram a acreditar que eu só estaria apta a viver em harmonia com a sociedade quanto estivesse bem comigo mesma. Hoje, eu percebo que me aperfeiçoo mais enquanto indivíduo no coletivo, entre as muitas pessoas que me ensinam e a quem eu ensino todos os dias.
Quando você se muda, e sai da sua zona de conforto, aprende muito sobre si, e também sobre o verdadeiro significado de amizade, parceria, confiança e sinceridade. Situações extremas têm o poder de revelar o melhor e o pior em qualquer pessoa, e uma nova distância revela também qual a verdadeira intensidade das relações que permeiam nossa rotina. Mas você passa muito tempo sozinho também, pensando na morte da bezerra e rolando a lista de contatos do Whatsapp, procurando com quem conversar.
"The Ugly Duckling" is not about Beauty.
Blame it on the filters, the make up and the gym membership, but most of us seem to carry within this feeling of having been one very very ugly duckling, now grown into the most beautiful swan in the pond. Honestly, any self esteem is good for the heart, and I won’t be one to question people’s search for an evergrowing love for themselves.
However, growing up and understanding how much harm can be caused by the social perception of beauty has made me reject its importance in my life. You can blame it on Funny Girl, maybe, but the last thing that I want to be important about me is how pretty I am or am not. I enjoy having and expressing one very loud personality, louder than anything else – not necessarily screaming, but mostly.
I was thinking about this as I watched the dozens of swans living on the river right opposite to my student hall.
"O Patinho Feio" não é sobre Beleza
For the English version, click here.
Talvez sejam os filtros, a maquiagem e a academia, mas a maioria de nós parece carregar dentro de si o sentimento de ter sido um patinho muito, muito feio, que cresceu e se tornou um belíssimo cisne de pescoço longo e elegante. Sinceramente, um pouco de auto estima não faz mal a ninguém, e longe de mim questionar o quanto uma pessoa consegue se amar mais hoje do que ontem.
Nada escapa aos Teus olhos.
Existe um mistério por trás dos olhos do Pai.
You don’t miss a thing.
There is a mystery behind His eyes.
To be fair, there’s a mystery behind every pair of eyes, once we were made in His own image. How we amazingly see each other through so many different lenses, how I wish I could see myself through other people’s eyes, and how I wish I could lend my own eyes to others, for them to see as much value as I see in such simple things.
But the eyes of the Lord – they run back and forth throughout the whole Earth. We’re 7 billion now, but our Mighty God has seen every single person that ever walked on this planet. Every now dead being got caught in the eyes of the Father once, twice, so many times. He sees it all, praise His name. He knows it all, glorify His name. There’s nowhere to hide that His Love wouldn’t find us – for the Lord is no Big Brother watching us, but He watches over us.
As I lay here awaken, way past my bedtime, and wonder about who I am, I still find it amazing that the Lord has seen me, and chosen me. I can’t blame those who find it hard to believe that God loves them and has a plan for them – although plenty of milleniuns believe the world revolves around them, depression and low self-esteem are getting higher every year. The world is toxic to us – to our identities, to every single special trait of ours. Everything is taken away. I have been there – hopeless, weakened, no direction, no purpose, so many fears, so many doubts.
But, in this crowd of seven billion, He never misses a thing.
To be fair, I am not much of a big deal. None of us is, we can’t do a single thing on our own. We are limited, but He does for us everything we couldn’t do. When we fall, when we don’t know, when we can’t say, when there is no other hope, He is always there, waiting for us to to cry to Him with our voices. He is the Light that burns brighter than the Sun. And I am just a tiny little thing, making my boast in the Lord. I celebrate my life, celebrate the years behind me, the years ahead of me, the year I’m living now. I celebrate the hard days, I celebrate the pain of coming and going, because He goes before me every step that I take.
I believe that the mystery of godliness lays in how the glorified God places us safe in His arms, and has a plan for us. He speaks only the truth, and His truth sets us free – for when the world tells us we are weak, and small, and buries us under fake notions of unattainable perfection, the Lord is merciful, and His mercies are new every morning, and we rejoice in being weak, for His power is made perfect in weakness.
Years may go by, but my heart is permanently amazed by this unstoppable Love that saved me, and saves me every day, and that I will never be deserving of. I was born for the glory of the Lord! My Father loves me. Let the whole world hear that I am loved, let all the bullies, the highest, the lowest know that I have a shield around me, a best Friend who lifts up my head and takes me by the hand when everything falls apart. There was a mystery behind His eyes, and I have solved it, as I looked into them – I am His, and He is mine.