"30 de 18", ou "Por que estou decepcionada comigo mesma"


     Na próxima segunda-feira, dia 1 de Abril de 2013, completam-se 30 dias desde que eu fiz 18 anos. Essa idade mítica, que nos retira bruscamente da infância e nos joga oficialmente pra fase adulta, pertence a mim há um mês comercial. A maioria aguarda ansiosamente pela data; eu oscilei ao longo dos últimos meses. Sinto uma imensa falta de ser criança.
     Como era adiantada no colégio, vivia sob a pressão de “amigos” tratando-me negativamente por “ser criança”, e cobrando de mim comportamentos que não pertenciam a minha idade (e nem à deles). Minha necessidade de estar sempre de acordo com todas as opiniões que as pessoas emitiam acerca do que eu era vs. o que eu devia ser fez com que eu estivesse sempre tentando me adequar à qualquer coisa que parecesse mais legal do que aquilo que eu era. Ironicamente, as pessoas sempre me rejeitaram, mais do que gostaram de mim.
    
     Aos 2 anos, eu já sabia ler e escrever; escrevia pequenas histórias sobre princesas que salvavam seus príncipes, e as ilustrava com garotinhas de vestido cor de rosa. Meu pai trabalhava com moda, e eu possuía minha própria grife imaginária. Comecei a ler sobre Matemática e Lógica aos sete anos; estudei a Relatividade Especial, pela primeira vez, aos dez. Escutei, desde pequena, que eu poderia ser qualquer coisa que eu quisesse. Que meu futuro seria brilhante; antes dos 18, eu teria alcançado coisas que muitos adultos jamais sonhariam em alcançar. Eu era uma criança prodígio, como diziam. Poderia falar cerca de 5 línguas, poderia ter adiantado mais anos no colégio, poderia ter publicado livros…
    
     Bem, aqui estou eu, aos 18. Nada disso ocorreu.
    
     Entrei na universidade aos 16, mas, isso, por si só, não é grande coisa. Permiti que o mundo ao meu redor me freasse, me dissesse que crianças não devem se importar com as coisas que eu amava; permiti-me acreditar que estava numa idade em que nada realmente acontecia, e que a chave era ir em busca da futilidade adolescente das revistas. A culpa não era bem dos outros – cada um exprimia as ideias e valores que lhe eram convenientes. O erro foi meu, ao aceitar, na minha vida, esse desespero por aceitação.
    
     Desde que me comprometi, em 2010, a postar, neste blog, os textos que escrevia, sempre senti uma vontade muito grande de poder falar sobre minhas frustrações; demorei a fazê-lo por medo da opinião dos outros. Essa vida online que levamos é extremamente medíocre; essa mania de criticar tudo aquilo que o outro faz, apenas pela diversão de vê-los mal, é algo que eu nunca entenderei. Neste momento, publicando este desabafo, estou ciente de que serei julgada, da mesma forma que fui na infância, quando mudei de colégio, e quando entrei na faculdade. Mas a verdade é que ninguém tem nada a ver com isso. Não devemos nos tornar arrogantes e estúpidos apenas pela autenticidade – a boa convivência deve ser priorizada –, mas não faz sentido preocupar-se tanto com o que todos dizem. Às vezes nossos amigos mais próximos nem sempre sabem lidar com nossas ações, por conta dos próprios (pré)conceitos que carregam.
    
     Hoje, quando me encaro no espelho, vejo apenas coisas que me chateiam – física, emocional e intelectualmente. Mas, talvez, o pior de tudo, seja que eu insista em querer adequar-me à ideia que os outros fazem do que eu deveria ser; mais magra, mais estável, menos frustrada, de cabelo mais comprido, usando roupas diferentes, lendo livros diferentes, falando sobre assuntos que interessam aos outros, e não a mim. De certa forma, é isso que mais me frustra. Entre tudo de bom que já aprendi com as outras pessoas, foram tantas coisas ruins que eu aceitei. A escolha sempre é nossa; a escolha sempre foi minha.  
    
     Mas não é isso que importa agora. Importa agora que eu queria poder voltar à minha infância, à infância de verdade; não para brincar mais, ou pela alegria de não precisar passar noites em claro projetando, mas para fazer o que eu realmente desejava, o que realmente pulsava no meu coração. As potências não duraram para sempre, como eu sempre pensei que durariam.
    
     Porém, de nada adianta choramingar agora, já que o tempo não volta, e tudo aquilo que eu poderia ter feito/sido/aprendido antes, será. Convém que eu passe adiante o que a vida me ensinou. Por mais que eu deseje poder voltar, não voltarei; só seguirei em frente agora. Minhas avós morrerão, meus tios e tias morrerão, meus pais morrerão também; um dia, eu também vou morrer. E eu espero muito não ter que, ao 40, aos 60, e aos 80, não sentir a mesma decepção que sinto neste momento.
    
     Eu espero que eu consiga vencer essa força do Tempo que me faz querer, cada vez menos, mudar alguma coisa nesse mundo.
    
 (E, aos amigos que certamente pensam em chamar-me, em privado, para censurar meu comportamento por pensarem que me expus demais/fui muito pedante/fui muito orgulhosa/sou muito bobinha: hoje, não).

5 thoughts on “"30 de 18", ou "Por que estou decepcionada comigo mesma"

  1. Por isso, eu gosto de ser esse bocó de sempre… Esse babaca que muitas vezes as pessoas criticam por ser algo que quero, e não aquele adulto que tem que ser sempre maduro, chato.
    Gosto de ser super-herói nas 24h do dia, gosto de salvar o mundo diariamente (meu mundo e de meus amigos), gosto de errar como todos erramos, porque se não aprender no erro, quer dizer que cresci… Gosto de ser assim, um super-herói sem limites, sem barreiras, com meus amigos, sem fronteiras.

    Parabéns, Lu! :3
    AGORA BORA VOLTAR A SER CRIANÇA E ACREDITAR EM TUDO QUE ACREDITÁVAMOS *-*

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  2. Hey, Lu. Acho que me coube aqui te dizer que pelo pouco que tive a chance de te conhecer, de compreender você posso dizer que você é uma ótima pessoa. Uma pessoa muito boa de coração, de verdade. Não sabia desses detalhes sobre você, mas isso não muda em nada o que você é por inteira. Essa sua essência de se expressar -sei que não facilmente- o que sente, só me leva a crer que você conhece a si mesma.
    É nos conhecendo que sabemos o que queremos e o que faremos com base nisto. Nossas experiências nos fazem conhecer o que gostamos ou não, o que aprendemos, com nossos erros ou acertos e finalmente nos compõem. Agora você tem dezoito. Não é exatamente uma idade mágica, eu sei.
    Mas tenho algo para te dizer: tuas experiências ainda ocorrem. Nada que ainda acontece está perdido. Então, se levante, sugue essa decepção como um aspirador de pó faria com a poeira e depois jogue fora. Todos nós nos sentimos assim, a diferença é que você teve a coragem de mostrar seu ponto de vista. O medo da vida nos permeia, mas anda assim, vivemos!
    Portanto, ainda que os fantasmas de Scrooge venham lhe assombrar, lembre que sempre existe o futuro que pode ser mudado. E se o medo vier com suas correntes, bom, então enfrente a experiência passando com/por cima do medo mesmo! Tenho certeza de que você conhece a verdadeira definição de coragem.
    Por fim, Josué 1:6-9 nesse seu coração enorme e revolto, para sempre misterioso com mais a explorar e nesses seus olhos, janelas da alma que por aqui tenho a chance de poder adentrar, minimamente, sabendo que muito mais há para se achar. Te admiro muito e te acho muitíssimo inteligente.
    Obs. O intuito disso não é julgá-la, dar pitaco ou servir de conforto motivacional (na verdade inútil). Quem sou eu para ter o que lhe apontar. É apenas algo que senti de te dizer, coisas que eu aprendi e já passei. Não se sinta sozinha.
    Só está em anônimo porque eu acho as pessoas imprevisíveis e se não for de teu agrado, bem, simplesmente ignore. Não se sinta obrigada a aceitar esse comentário no corvo, me é importante que você leia, apenas.

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  3. Acabou se tornando o que desejavam os outros,talvez seja meio clichê o que tenho pra dizer,mas,você não ficou fluente em 5 línguas como seu potencial infantil dizia ser coisa certa,não publicou 5 livros antes dos 16(até melhor)hoje em dia qualquer fã de qualquer saga ” mais ou menos” publica um livros,são raros os livros que acrescentam algo hoje em dia,você acabou dizendo tudo de negativo que ocorreu nesses 18 anos,e esqueceu,assim como sempre,o lado “feliz” desses 6566 dias que você está aqui conosco desfilando beleza e inteligência por esse chão,sim,tenho de concordar que você,possivelmente é a pessoa mais chata com a qual já tive contato,mas dentre os chato,certamente você é a mais especial,tem algo em você que me irrita a ponto de visitar seu blog todos os dias pra saber um pouco mais sobre ti,por fim chegamos a conclusão que você,Luisa,é um Átomo,detém particular irritantes,mas,ao mesmo tempo algo positivo vem de ti,que faz tantos eu,virem assim como este simples eu vir a este blog querer saber como foi seu dia, nem sei se você vai ler isso,só queria me expressar mesmo

    ps: não sei se esta em anonimo ou com meu email, não sei mexer com o Blogspot,um Beijo!

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  4. Olá, vi seu vídeo resposta da Lully e resolvi ler seu texto. Talvez eu não me sinta da maneira que você se sente, mas tenho certeza que estamos no mesmo “barco”.
    Tenho 19 anos, e completo 20 esse ano. Estou em uma fase que costumo chamar de “A crise dos 20”, chega a ser engraçado, eu sei. Vemos a dos 18, a dos 30, a dos 40, mas eu estou na dos 20.
    Já ouvi pessoas dizendo que tenho a síndrome do Peter Pan, e isso seria algo que deveria me agradar, afinal, o Peter Pan é adorável, eu amo Peter Pan, porém não foi muito divertido ouvir isso.
    Sou um tanto “infantil” para minha idade, isso é o que eles dizem, porém não é o que eu acredito. Sou alegre, simples assim. Melhor, não tão simples, por que isso não é algo que eles consigam enfiar na cabeça. Sou alegre, e não infantil. Tenho minhas preocupações e arcar com minhas responsabilidades . Acredito que eu seja assim, tão alegre, por coisas que aconteceram comigo, e é aí que entramos no mesmo barco.
    Eu nunca fui uma garota de muitos amigos, e ainda não sou, sempre fiz parte do grupo dos mais inteligentes, e discriminados na escola, por que inteligencia, NA MINHA ÉPOCA, era algo de se discriminar, embora eu não fosse muito inteligente. Enfim, voltando, eu fazia parte desse grupo, e também, o que é de se imaginar, nunca fui considerada a mais bela, mas eu sempre tive uma necessidade de me encaixar em um grupo “cool”, de pessoas descoladas, que brincavam na sala, que eram “conceituadas”, solicitadas por todos, bastante conhecida, e eu consegui, no ensino médio. Fiz uma mudança geral- casa, escola, tudo- e acabei me juntando com o pessoal do fundão, que eu acreditava que eram os melhores, e o papel que assumi foi o de garota tapada, pensando que eles iriam gostar de mim, mas o que aconteceu foi totalmente o inverso, eu acabei sendo motivo de chacota por ser FEIA e “BURRA”.
    Minha época de escola não foi a melhor parte da minha vida, e infelizmente, foi a maior parte da minha vida até agora.
    Hoje, beirando meus vinte, eu estou sentindo uma imensa vontade de me enfiar dentro de um buraco, pois me sinto parada. Vejo pessoas sempre tão iguais, e me sinto diferente, porém um diferente ruim, como eu sempre fui. Meu jeito alegre de ser, é algo que não muda, meu jeito moleque também não muda. EU SOU MUITO MOLEQUE. E como agora com um emprego, eu preciso mudar. Preciso ser feminina, preciso ser madura, porém é algo que EU NÃO QUERO, eu gosto do meu jeito-peterpan-de-ser, só que é algo que a sociedade me cobra. O que faço nessa é empresa, é algo que não quero, é algo que não sou. E saco, por que estou sempre fazendo coisas que não me agradam?
    Vejo pessoas dizendo que não se importam com o que dizem dela, e eu queria também não me importar, mas o que elas dizem acaba se tornando o que eu penso, não que eu seja cabeça fraca, é só que eu acho que eu não sou um robô, que nada o que falarem vai me afetar, e essa cobrança da sociedade e minha, está realmente me matando por dentro, pois quanto mais me cobro, me sinto mais incapaz de realizar meus desejos, afinal, estou cobrando de mim, coisas que eu não quero fazer, coisas que eu não quero ser. É chato demais se sentir assim, querer voltar no tempo e mudar tudo. Eu queria continuar no meu grupo de “nerd”, isso evitaria de eu sofrer tanto como eu sofri, e ainda sofro por isso.
    Tenho meus planos, sonhos, objetivos, dos quais eu acredito infinitamente que são capazes de se tornarem reais, mas eu estou indo totalmente ao contrário.

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  5. Continuando …
    Bom, agora eu vou para a moral da história. Sem contar, que esse meu jeito de acreditar que tudo vai mudar, que meus sonhos vão realizar, também é motivo de risadas, e já até me falaram para eu acordar pra realidade. Sinceramente, essa realidade eu não quero.
    Vendo o vídeo da Lully, eu pensei igual a você, e então vi seu vídeo. Também acredito que a sociedade está dividida entre dois tipos, os que são “LEGAIS” e os que são “LEGAIS”, sim, os dois são classificados como legais, porém um tem o tipo intelectos, gamers, meninas-homens, e o outro, são aqueles playboys, patys e etc. Eu até estava comentando com uma amiga. Meu, que droga? Seria difícil uma pessoa ser do jeito que ela é? Pronto, acabou. Acho que se as pessoas se aceitassem como são, se não tivessem vergonha de assumir os seus gostos, eu não estaria me cobrando essa mudança.. Me sinto no meio dessas pessoas não verdadeiras, e não queria. Não que eu não assuma meus gostos, quanto a isso, eu não tenho vergonha, e hoje eu tenho uma mente bastante crítica, até por que, se eu não tivesse, eu seria bem mais aceita, e seria bem mais feliz. Digo que eu não precisaria querer mudar, e ser o que não sou. Eu não quero ser essa pessoa que estou tentando ser, mas tudo está me empurrando para esse meio. É triste.
    Bom, foi mais um desabafo, na esperança de ser compreendida kkkk
    Acredite, você – e consequentemente, quem lê seu blog e comentários – é a única pessoa para quem falo sobre isso, pois sei que não irá me chamar de dramática. rs

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