Todas as luzes desta rua me lembram você

Todas as luzes desta rua
Me recordam você.

No jeito de estar, pulsando, imóveis,
No alto dos prédios, na beirada dos postes,
Onde os olhos veem mas as mãos não alcançam;
Para onde eu olho, pra esquecer as coisas más.

E me encantam assim, dessa forma:
Quando piscam, quando apagam,
Quando vêm e vão, no farol dos carros,
Ou na decoração especial do Natal.

E eu passo dançando em silêncio por elas,
Como se você estivesse em cada uma delas;
E o meu corpo se lembra do brilho das luzes
Que embalaram eu e você, quando havia eu e você.

“Que bonito é,” eu canto, “que bonito é”
Te lembrar sob a luz, com amor e saudade.

O tempo passou, e tanta coisa se apagou,
Mas suas luzes ainda povoam minha memória;
Insistentes e intrigantes, como o neon dos letreiros,
E as janelas acesas de madrugada.

O tempo passou, e tanta coisa se apagou,
Mas você ainda é brilhante como uma luz
Que me alegra e me afeta, mesmo de longe,
Onde meus olhos veem, mas minhas mãos não alcançam.

E continue brilhando assim, em todas as suas cores,
Do outro lado da cidade, ou do oceano,
Mas, por favor, como as luzes de Natal desta rua,
Volte uma vez por ano pra me visitar.

Pois eu gosto muito de todas estas luzes,
Mas gosto mais de você do que delas.


Escrevi este poema em 2014, pra um coletivo de poesia do qual eu participava [você pode ler a versão original aqui]. Depois, o reescrevi em 2017. Reescrevo hoje de novo. Sempre foi pra alguém, mas hoje não é pra ninguém, só pela poesia – pela saudade de escrever, e pela saudade de sentir algumas coisas que me fizeram escrever.

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31 Devocionais #25 – Beleza pra quê??

    Eu escrevo demais. E isso é decorrente do fato de que eu falo demais. Isso faz tão parte da minha identidade, que se reflete na forma como eu lido com o Pai em secreto. Falo muito e faço várias perguntas. Esses dias, fiquei pensando naquela ali em cima – beleza pra quê? Coloquei diante do Pai. 
             
      Especialmente para meninas, crescem ouvindo sobre beleza, sendo dominadas pela ideia de beleza, e sendo cobradas na beleza quando mal sabem que são meninas ainda. Crescemos todas assim. Competimos umas com as outras, porque o (nosso) mundo é das mais belas, mais jovens. Como resultado, a maioria de nós, independente do que o mundo diga, se sente inadequada, feia, rejeitada, sempre insuficiente. Gorda demais, alta demais, o nariz, os lábios, os olhos. Tudo errado, tudo que nos torna indignas de Amor. 
     
      Como cristãos, precisamos entender que fomos desenhados com Amor pelo Pai. E isso vai além do clichê que ouvimos toda vida. Os funcionalistas da Bauhaus, no século XX, diziam que, no design, a forma seguia a função, e eu amo como isso se aplica à obra do Senhor. Nosso design revela nosso propósito! Nossa personalidade, nosso jeito, nossa vocação, e, nisso tudo, nossa aparência. Ester teve a beleza que a levaria a ser escolhida como esposa do rei. Lia, mesmo tendo sido chamada menos bela que Raquel, sua irmã, foi escolhida e cuidada pelo Senhor, e entrou na linhagem do Messias. Até a Jesus, nosso Salvador, foi reservada uma aparência específica, como nos revela Isaías 53 – modesta diante dos homens, mas que escondia Sua Glória. 
     
      Você tem a aparência exata que convém ao seu destino, à sua identidade. Tenha boa mordomia daquilo que o Senhor te deu, alimente-se com amor, e não acredite em quem diz que o tamanho do seu corpo define se você tem direito de ocupar espaço ou não. Sua existência corpórea não é problemas deles. Sabemos que o nosso Senhor Deus é perfeito em tudo que faz, e nossas individualidade e diversidade também são manifestação da Glória dEle. Em obediência, podemos encontrar o caminho que nos guia ao cumprimento do nosso chamado – aqueles momentos em que todas as peças se encaixam, e todas as circunstâncias que nos levaram até ali fazem sentido. 
     
      Não estamos competindo para descobrir quem é tem mais beleza, ou quem desperta mais desejo, que é mais digno de Amor. Pelo contrário, o Reino de Deus é cooperação. Ao final, entendemos que beleza também é propósito – e glórias ao Senhor pela perfeição da Sua obra! Não importa se, comparadas segundo os padrões deste séculos, somos mais ou menos belas – nós apenas somos, pois foi o Pai quem nos criou, e tudo que Ele faz é Belo, e floresce na estação certa para cumprir o propósito e ocupar o espaço para o qual foi criado.