Sobre a Morte.

     O maior problema que nós enfrentamos na vida é que a vivemos como se ela nunca fosse acabar. Parece engraçado, mas sempre falamos disso pensando nos outros. Eis o fato: você e eu vamos morrer também. Um dia, que parece distante agora, quando eu penso em tudo que ainda preciso fazer, mas parece que chegará em breve, diante da velocidade com que as coisas correm. O Tempo, ele corre.
     O que você faria se tivesse apenas mais um mês, seis, um ano, dez, quinze de vida? A maioria diria que iria então viver, viver tudo que não foi vivido antes. A ideia de saber do fim motivaria uma troca de perspectiva. A ideia de saber do fim motivaria a finalmente viver a vida como se deve, como se gosta, como se deseja. A maioria de nós continua não sabendo quando vai morrer, mas eu tenho um amigo que não só entende que vai, como tem uma ideia bem mais acertada que nós de quando. E ele vive como se deve. 
     A perspectiva correta de se observar a vida é aquela que coloca a coisa mais importante de todas em destaque, e faz o resto parecer menor e menos importante. O fato é que você vai morrer. E, quando você morrer, mais tarde, hoje ainda, ou em 2077, só vai contar o que realmente importa. E isso não é um lugar-comum, um clichê, isso é fato. Pense sobre isso. Coloque-se no seu velório. Não há mais qualquer movimento que seus pés ou mãos possam fazer, não há mais qualquer dia que você possa viver.
     Passei uma boa parte da vida chorando pelo que não tinha. Um dia, eu tive, e não importou mais. É mais ou menos a mesma ideia, no fim – nenhuma das coisas que nós lutamos pra ter, pelo ter, importa. Nenhum dos sonhos que sonhamos pra nós, que vivemos sozinhos, nossas experiências, nada mais importa. Morre com nosso corpo. Jesus me lembrava hoje, mais cedo, “ajuntai tesouros no céu… Seja a Sua atitude a mesma que a minha…”. Ele, sendo Deus, não considerou que ser igual a Deus era algo ao qual devia apegar-se. Divino, esvaziou-se de Si, assumiu a forma de servo, um homem, como nós. Deixou um padrão inabalável – foi obediente até à morte, morte de cruz. Quais são as coisas às quais eu me apego? Nenhuma delas é maior que Ser Deus. Será que minha própria vida ainda vale tanto assim?
     Tornar-se perfeito e completo é o processo de esvaziar-se totalmente de si, até que aquEle que É Perfeito seja completo em nós. Sou atraída pela ideia de um dia morrer totalmente pra mim, e por Ele. Sou atraída pela ideia de entender que fui chamada pra um caminho de obediência que produzirá frutos a 30, 60 e 100 por um, por uma, uma tão insignificante que não produziria nem 1 por 1 sozinha. Sou atraída pela ideia de ter visão, missão, propósito, e de aprender a abrir mão de tudo que não seja importante ou necessário. De queimar por algo todos os dias, até que eu seja consumida. Sou atraída pela ideia da morte, porque já me foi prometida a Vida Eterna, e é com os olhos fitos nEle, a própria Vida, que eu caminho a passos largos pro meu fim. 

    

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