31 Devocionais #24 – Benção também é Vaidade

     Texto base: Filipenses 3:7-14
     
     Eu sou privilegiada pra caramba. Se fizermos a soma geral da minha vida, mesmo com o quanto sofri com o peso do machismo e dos padrões de beleza, eu ainda tive coisa demais. Nasci numa família bem estruturada, recebi uma ótima educação, fui bem alimentada. Tenho boas roupas à minha disposição, viajo, leio frequentemente, não preciso desesperadamente de um emprego. Moro numa casa confortável, temos dois bons carros. 
     
     É esse o motivo pelo qual eu estou acordada agora (no momento em que escrevo esse texto, são 5:09 da manhã, e eu ainda não dormi). Estava orando e refletindo sobre meu coração. Nos últimos dias, tenho pensado e conversado muito sobre vaidades. Porque é isso que todos esses privilégios são, essencialmente – vaidades mundanas. Seria falta de entendimento demais acreditar que eu mereço qualquer uma dessas coisas (ou que as mereço mais do que aqueles que não as possuem). Tudo que vivi e recebi veio de graça, por Graça. O Pai pode dar mais ou tirar tudo a qualquer momento. 
     
     A essência de compreender tudo que recebemos de Deus é entender que fomos todos chamados segundo um propósito, e que seremos preparados e equipados de acordo com um caminho de cooperação do Senhor com o nosso destino. As circunstâncias da sua vida giram em torno daquilo que Deus deseja pra você, e o objetivo do Pai é te conduzir até onde seu coração se encontre com o dEle, e você viva pra Ele. Isso, claro, é muito fácil de entender quando você é uma menina branca e inteligente de classe média, descobrindo o motivo pelo qual Deus te concedeu aprender inglês tão facilmente. Via de regra, nosso coração não aceita que circunstâncias ruins como morte, dor, pobreza, depressão, fome e violência também possam ser movidas a nosso favor. Por muitos anos, a igreja vendeu uma vida perfeita como o padrão a ser alcançado diante de Deus. A geração dos nossos pais e avós acabou-se no trabalho, crendo que o caminho da benção era prosperidade. Ignorou-se totalmente que fomos chamados para a Morte com Cristo.
     
     E isso não quer dizer que viveremos todos na pobreza material, ou que seremos todos martirizados pelo evangelho. Um coração totalmente entregue ao Senhor viverá de alma e espírito entre o pó e a coroa. Um coração totalmente entregue ao Senhor saberá viver no muito sem se deixar dominar pelos privilégios dessa terra, mas tirando proveito de tudo para a Glória de Deus. Viverá no pó sem questionar a soberania do Pai, descobrindo o Amor e a Graça nos lugares mais inesperados. Falamos de um Pai que sabe nos conceder boas coisas, e se alegra nisso (Mt 7:9-11); que não se agrada de nos ver chorando, mas que nos chama a viver com os olhos na Eternidade, ocupados com o Verdadeiro Tesouro. O melhor que Deus tem pra nos dar não são os carros, casa, presentes, viagens – tudo isso terá um fim. Sua melhor dádiva é a Vida Eterna na Glória.
     
     Tudo nessa vida é vaidade, porque não há ouro daqui que seja digno de comprar o Tesouro do Reino vindouro. Tudo nessa vida é vaidade, porque não há dor daqui que seja maior que o Poder daquEle que sara as feridas. Tudo nessa vida é vaidade, porque não há sofrimento daqui que não possa produzir um peso de Glória que ecoará pela Eternidade. No fim das contas, essa vida é uma forma imperfeita e fulgaz de alcançarmos algo perfeito e Eterno. E, se estou caminhando em direção a isso, não existe motivo pra encher meu coração daquilo que vai passar. 
   

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