Luto


Eu não me sentarei aqui, senhor,

Só porque você acha que eu deva me sentar
Enquanto estou de luto,
Só porque estou de preto;
Pois eu não choro, senhor, não mais; repare
Nesses braços nervosos,
Nesses olhos ansiosos
Por definirem um novo caminho a seguir.
Eu não me calarei de vez, senhor,
Só porque você acha que eu deva me calar
Se a minha voz já não sai de cima, como antes;
Pois eu não sou de morte, não sou desânimo,
Não farei da perda minha morte certeira,
E não estou de luto pela vida inteira;
Mas eu luto, e a luta não para,
E a Vida não para, ainda que nos escorra pelos dedos frios.
Mesmo sendo tão menor que o [mundo] todo,
Somos nós todos um mundo só,
E não nos deixamos sentar por mais que um minuto;
Eu não me deixo descansar enquanto exista AR.
E eu também não permito, senhor,
Que você, ou outros, digam que tudo acabou;
A minha estrada só começou,
E a nossa luta não terminou.

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