Poslúdio

“Que tudo, até a Morte, nos mente.”
                     O Esqueleto Lavrador – Charles Baudelaire

 

Ah, tu que usurpa meu sentido,
E repele-me o coração;
Que joga dados com meus olhos,
Meus tristes olhos calejados.
Ah, se tu, que mentes,
Que mentes só por teu prazer,
Que faria eu, enganado,
De luto eterno e justificado?
Ah, falsária, falsária,
Que diz com os lábios verdades escuras,
Que me penetra as vísceras em silêncio.
Diga-o! Diga-o!
Ah, se as horas se vão, porque não eu?
Se o amor se acaba, porque não o meu?
Se as dúvidas cessam, porque não as tuas?
Vinte anos se passariam e eu ainda,
Ainda o faria por ti!
Ah, mas tu, nem que a vida te obrigasse,
Nem que meu coração clamasse,
Nem que meu corpo perecesse;
Nunca o faria por mim,
Nem que eu fosse parte de ti.

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